tempo teimoso

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Timor



Só passados quase oito anos, em 9 de Setembro de 1999, Portugal de branco saiu à rua, calando um minuto por Timor.

Fernando Sylvan, timorense de nascimento, alma e coração ( Dili, 26 de Agosto de 1917), à sua maneira curta e clara escreveu:


"Pedem-me um minuto de silêncio pelos mortos mauberes

Respondo que nem um minuto me calarei"

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Fernando Sylvan

Tinha 16 anos quando recebi o meu primeiro livro de poesia. Chama-se "Mulher ou o livro do teu nome". São poemas de amor, curtos e belos, que em branco navegam entre esquiços de nús (de Luís Rodrigues). Na época imaginei-os escritos por um jovem adolescente perdidamente apaixonado. Amei-o profundamente.

Quatro ou cinco anos mais tarde cruzei-me com o poeta. O Professor Sylvan tinha então perto de 70 anos e presidia à Sociedade de Língua Portuguesa. Vestia de branco, falava bonito e devagar, contava-nos graças e desgraças do "Tempo Teimoso", quando ao fim do dia o nosso pequeno grupo de estudantes universitários o procurava.

Dessa obra, publicada em 1974, mas cujos poemas há muito circulavam entre mãos, na clandestinidade, destaco:
"LUTA


Pássaro sem espaço

Rio sem leito

Árvore sem floresta


Mas dou sinais de mim!"




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